
Rega da vinha no Douro: da bombagem ao gotejador
Como se rega a vinha nos socalcos do Douro: água bombeada do rio para um depósito e rega por gravidade, filtragem de malha, válvulas de proteção e gotejadores autocompensantes.
O Douro é a mais antiga região vitivinícola demarcada e regulamentada do mundo: foi demarcada em 1756, pelo Marquês de Pombal, e em 2001 o Alto Douro Vinhateiro foi classificado pela UNESCO como Património Mundial.
Os solos da região são sobretudo antrossolos, profundamente transformados pelo homem nas terras de vinha, sobre uma base de xisto com formações graníticas. O clima é sobretudo continental, com invernos chuvosos e frios e verões secos e quentes.
Socalcos e vinha ao alto
A relação entre o trabalho humano e a natureza criou um ecossistema único, em que a terra foi transformada em socalcos, que protegem o solo da erosão e permitem cultivar a vinha. As vinhas novas foram instaladas em patamares, com uma ou duas linhas de plantação, ou "ao alto", para facilitar a mecanização e tornar o trabalho menos penoso.
Porquê regar a vinha no Douro
Embora a vinha não seja tradicionalmente regada nesta região, vários estudos mostram que a falta de água em algumas situações edafoclimáticas, como solos declivosos, muito permeáveis e secos, tem impacto na qualidade e na produção da vinha. Por isso, o recurso à rega tem vindo a aumentar.
Rega por gravidade ou bombagem
No Douro, os declives acentuados permitem regar por gravidade. Para poupar energia, a água é bombeada do rio para um depósito de armazenamento, de onde a rega é feita sem custos de energia. Quando o desnível não o permite, a solução é a bombagem convencional.
Filtragem e condutas
A filtragem é muito importante, para impedir a passagem de partículas que entupam os gotejadores, e tem de ser adequada ao tipo de água; a mais comum é a filtragem de malha. O filtro deve ficar num ponto onde a pressão de trabalho seja respeitada, para funcionar bem.
As condutas são de polietileno, um material resistente ao solo pedregoso da região. A pressão nominal dos tubos deve ser escolhida de acordo com cada projeto.
Proteção do sistema
Para proteger os componentes da rega, instalam-se ventosas ao longo das condutas, que deixam entrar e sair o ar e evitam o seu colapso, e válvulas de retenção, que evitam os golpes de aríete quando a bombagem para (no enchimento de depósitos instalados a uma cota mais alta). Instalam-se também válvulas redutoras de pressão, para que o excesso de pressão vindo do declive não danifique o sistema nem dificulte a regulação da pressão nos setores de rega.
Gotejadores autocompensantes
A rega gota a gota é a mais indicada para a vinha, e devem escolher-se gotejadores autocompensantes, que debitam o mesmo caudal dentro do intervalo de pressão de trabalho, para garantir uma distribuição uniforme da água ao longo da linha.
O espaçamento mais comum entre gotejadores é de 0,5 m, com um caudal de 1,6 L/h. A distância entre gotejadores deve garantir água suficiente para criar uma faixa molhada adequada ao desenvolvimento das raízes.
O dimensionamento dos laterais é muito importante nestas instalações, porque a pressão necessária no início da linha condiciona a pressão em todo o setor. Como todo o setor tem de estar dentro do intervalo de trabalho do tubo, a escolha do diâmetro é essencial.
Rega à plantação e manutenção
A água dada à vinha na plantação tem-se mostrado determinante para um bom enraizamento. Embora a disponibilidade de água na região não seja muito alta, a rega permite aos produtores aumentos consideráveis de produção.
Para ter sucesso, é fundamental um sistema de rega bem dimensionado, bem instalado e com os equipamentos de proteção e controlo adequados, além de uma manutenção correta. É isso que permite ao produtor tirar o máximo partido do investimento.


