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15.11.2020

A rega da vinha na região do Douro

O Douro é a região vinícola demarcada mais antiga, tendo-lhe sido atribuído este estatuto em 1795 pelo Marquês de Pombal e em 2001 a Unesco reconheceu-a como património da Humanidade.

Os solos são, nesta zona, predominantemente antrossolos, onde a acção do homem foi muito marcada nos terrenos ocupados com vinha, tendo o solo base granítica com a formação de xisto. Em relação ao clima este é principalmente continental, caracterizado por invernos chuvosos e com temperaturas baixas e verões secos com temperaturas elevadas.

A profunda relação entre a actividade humana e a natureza permitiu criar um ecossistema onde as características do terreno são aproveitadas de forma única, com a transformação do terreno em socalcos, preservando-se assim o solo da erosão e permitindo o cultivo da vinha.

As novas vinhas foram sendo instaladas em patamares com uma ou duas linhas de plantação ou “ao alto”, de forma a facilitar a mecanização e a diminuição da dificuldade do trabalho.

Embora tradicionalmente a vinha não seja uma cultura regada nesta região, diversos estudos demonstram que a carência hídrica constatada em algumas situações edafo-climáticas, tais como solos declivosos, muito permeáveis e secos se repercute na qualidade e produção da vinha. Por este motivo, é cada vez maior o recurso à irrigação.

No Douro, pelos declives acentuados, particularidade da zona, é possível a rega ser realizada por gravidade. Nesta situação, e por uma economia de energia, a água é bombeada do rio até um depósito de armazenamento, a partir do qual se efectua a rega, sem custos energéticos. Caso o desnível não o permita, a bombagem é a solução, recorrendo assim a um método convencional.

O sistema de filtragem, bastante importante para evitar a passagem de partículas que poderiam entupir os emissores, deve ser adequado ao tipo de água, sendo o mais comum a filtragem de malha. Esta deve ser colocada num local onde a pressão de trabalho seja respeitada, para o seu bom funcionamento.

As condutas instaladas são em polietileno, material resistente ao solo pedregoso do local. A pressão nominal das tubagens utilizadas deve ser escolhida de acordo com a especificidade do projecto.

Para protecção dos componentes da rega são colocadas ao longo das condutas ventosas, que permitem a admissão e expulsão de ar, o que previne o colapso das mesmas, e válvulas de retenção para evitar as ondas de choque resultantes da paragem da bombagem (aquando do enchimento dos depósitos, instalados a uma cota mais elevada). São também instaladas válvulas redutoras de pressão, para que o excesso de pressão que advém do declive não danifique o sistema, nem dificulte a regulação de pressão para os setores de rega.

A rega gota-a-gota é a que se revela mais adequada à cultura da vinha, devendo-se optar por gotejadores autocompensantes, que debitam o mesmo caudal dentro da gama de pressões de trabalho, de modo a assegurar um débito de água uniforme ao longo da linha.