menu
28.06.2020

A rega na cultura do amendoal

 

Por: Bruno Guerra, responsável do Gabinete Projetos da Magos Irrigation Systems

 

As áreas de amendoal em Portugal são, maioritariamente, regadas, pois a rega afeta diretamente a produtividade da cultura, aumentando-a. Quanto maiores as amendoeiras, mais produção terão e como o tamanho da copa está relacionado com o volume de raízes, o objetivo da rega é proporcionar condições para que aquelas se desenvolvam da melhor forma.

 

Os sistemas de rega devem ser projetados de forma a colmatar as necessidades da cultura, que variam consoante as zonas geográficas, variedades, entre outros fatores. O correto dimensionamento do sistema de rega permite que a água aplicada beneficie constantemente grandes volumes de solo.

 

Gotejadores

O tipo de rega mais utilizado nesta cultura é o gota-a-gota, por ser mais eficiente na dotação de água. O tubo gotejador deve ser escolhido tendo em conta o tipo de solo, de forma a que os bolbos húmidos formados por cada gotejador se sobreponham, criando uma faixa húmida contínua. Pode ser utilizada uma ou duas linhas de tubo gotejador, ou eventualmente mais, consoante o maneio da cultura pretendido. O sistema de rega é dimensionado tendo em conta as necessidades máximas da cultura, o espaçamento entre gotejadores e o débito escolhidos.

 

Os gotejadores para a cultura do amendoal são por norma autocompensantes (o caudal é constante independentemente da pressão, ou seja, do início ao fim da linha lateral o débito é constante – dentro da gama de atuação do tubo gotejador) e, por vezes, anti-sucção (evita a entrada de ar e matérias pelo gotejador, prevenindo entupimentos), e o espaçamento entre eles varia entre 40 e 75 cm, enquanto o débito varia entre 1,6 e 2,2 l/h.

 

O tipo de solo condiciona também a escolha do débito dos gotejadores. No caso de solos arenosos, o gotejador deve ter um débito menor e um menor espaçamento entre eles, e a rega deve ser mais frequente e mais curta. Solos mais fortes, do tipo argiloso, requerem uma rega com gotejadores mais espaçados entre si e com débitos maiores.

Uma parte também muito importante do sistema de rega é o sistema de filtragem, porque dele depende o bom funcionamento dos gotejadores. Os sistemas de filtragem devem ser dimensionados tendo em conta a proveniência da água (charcas, furos, hidrantes de associações, canais, rios, etc) e o tipo de gotejador.

 

Sistema de filtração

Um bom sistema de filtração deve garantir que as partículas presentes na água não irão bloquear a saída do gotejador, e podem ser usados vários tipos de filtros em conjunto. A água proveniente de uma charca, por exemplo, terá uma carga orgânica muito superior a uma água procedente de um furo, que poderá ter mais areias em suspensão. Cada caso requer um tipo de filtro, que pode ser de leito de areias, de anéis rotativos ou de malha automático, no caso de uma água com matéria orgânica, e do tipo hidrociclone ou centrífugo, para furos.

O sistema de filtragem deve ter todos os seus componentes em pleno funcionamento, e em caso de ser automatizado deve ter uma programação das retrolavagens e limpeza adequadas ao tipo de água. O sistema deve também ser dimensionado de acordo com o caudal de serviço do projeto, com a folga adequada a cada situação, de forma a nunca comprometer a rega em curso.

O projeto de rega para amendoal, como todos os outros projetos de rega, deve ser dimensionado cuidadosamente e tendo em conta todos os aspetos técnicos e agronómicos necessários ao seu ótimo funcionamento.

A correta instalação e manutenção do sistema de rega é também a garantia de que este funcione sem problemas durante muitos anos, e assim permita ao produtor obter todo o  retorno económico do investimento realizado.