«Nos próximos cinco anos a área de amendoal duplicará»
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04.02.2019

Pedro Branco é sócio gerente da FuturAlmond SL, empresa que presta assessoria técnica em desenho e gestão de plantações de frutos secos e olival, tendo a seu cargo 3.000 hectares de amendoal no Alentejo e na Beira Baixa.

 

Qual a área de novos amendoais em
Portugal?

Na área de influência de Alqueva há
7.000 hectares de novos amendoais plantados
e nos perímetros de rega do Caia e
do Ladoeiro há mais 2.000 hectares. Nos
próximos cinco anos, estima-se que a
área de amendoal duplique, contando
com as intenções de plantação em projeto.


Que fatores podem influenciar o ritmo
de aumento de novas áreas de amendoal
em Portugal?

O principal fator é a evolução dos preços
da amêndoa, influenciado pelo ritmo de
crescimento da procura nos mercados
internacionais. Há muitos projetos na
calha, mas os investidores aguardam
para ver os resultados dos novos amendoais
que vão entrar em produção cruzeiro
dentro de 2 a 3 anos.


Qual é o preço atual da amêndoa no
produtor?

Em 2018 os preços variaram entre 4,8€ e
5€/kg, mas este ano estão um pouco mais
altos.


As elevadas taxas alfandegárias impostas
pela China, Índia e Turquia à amêndoa
da Califórnia têm influência no
mercado português?

Com certeza que sim. A expectativa em
relação a isso é grande. As taxações
impostas à amêndoa da Califórnia levarão
os importadores a procurar fornecedores
noutros países produtores, nomeadamente
Espanha e Portugal. Podemos dizer
que nos próximos anos o mercado está
assegurado, embora quando se trata de
questões políticas, como é o caso, tudo
pode mudar rapidamente. Creio que a
nossa aposta não deve ser a contar com
o mal dos outros, mas sim com a qualidade
da amêndoa portuguesa e com a vantagem
de conseguirmos colocá-la nos
mercados europeus um pouco antes da
chegada da amêndoa americana. A conjuntura
atual deixa-nos otimistas.


Vender a amêndoa em Portugal é uma
boa oportunidade para os novos investidores?

A expansão atual da área de amendoal
não contar exclusivamente com o mercado
nacional, porque o consumo per
capita de amêndoa em Portugal é moderado.
À medida que aumentar a oferta de
amêndoa nacional, o consumo poderá
subir e desse ponto de vista é uma oportunidade.


A instalação de indústrias de transformação
ajudará à valorização da produção?

A evolução está a ser natural, tal como foi
no setor do azeite. Os lagares vieram
complementar a grande expansão da
área de olival, e no setor da amêndoa prevê-
se que aconteça o mesmo. Já existem
alguns projetos novos de unidades de
transformação e com o consolidar das
produções vão surguir outros.

Há consenso sobre o melhor sistema
produtivo na amêndoa: intensivo ou
superintensivo?

Já há plantações de amendoal superintensivo
com cinco anos em Portugal e no
meu ponto de vista este modelo produtivo
irá ocupar uma área cada vez maior no
amendoal, tal como ocorreu no olival,
devido a questões relacionadas com a
falta de mão-de-obra, entre outras. A evolução
será ditada pelos resultados obtidos
nos amendoais superintensivos, mais
consolidados a cada ano que passa.


Qual o compasso de plantação ideal?
Não existe um consenso sobre o compasso
de plantação ideal, porque há vários
caminhos para chegar a um mesmo objetivo.
Nos amendoais intensivos nós aconselhamos
o compasso de 6m X 4m e nos
superintensivos de 3m X 1,25m, baseados
nos resultados dos nossos ensaios há
mais de 10 anos em amendoal intensivo e
desde o ano 2010 em superintensivo.


Quais as grandes tendências no que
respeita a variedades de amêndoa?

No superintensivo o leque de variedades
é mais restrito, estamos concentrados na
Soleta e Penta. No intensivo o leque de
variedades é bastante maior. A escolha
das variedades e dos porta-enxertos não
deve seguir uma moda, é fundamental
que tenha em linha de conta as características
do terreno e as condições edafoclimáticas
da zona onde se encontra o
projeto. Infelizmente muitas vezes não é o
que acontece e as pessoas rapidamente
descobrem os erros.


Como regar os amendoais de forma
eficiente?

Em primeiro lugar é essencial escolher
bem as variedades, os porta-enxertos e o
sistema de condução da cultura e depois
conhecer as suas necessidades em água
em cada fase do ciclo fisiológico. É preciso
dimensionar o sistema de rega (setores
de rega, debito dos gotejadores) para
o período de máxima utilização de água
pelas plantas e não para o consumo
médio anual estimado. Isto é fulcral para o
sucesso da cultura, pois caso contrário as
amendoeiras não manifestam todo o seu
potencial produtivo, porque nos picos de
maior exigência não têm disponível o
volume de água que necessitam. Na
gestão diária da rega é fundamental usar
ferramentas que ajudem na tomada de
decisão, por exemplo as sondas capacitivas.

Qual é a sua opinião sobre o trabalho
da Magos Irrigation Systems na rega
dos novos amendoais?

Nalguns dos projetos que lidero e onde a
Magos Irrigation Systems foi o parceiro de
rega escolhido, deu perfeitamente
resposta às necessidades que lhe foram
apresentadas e às exigências que os projetos
requeriam. A Magos Irrigation Systems
é cada vez mais um parceiro fundamental
na rega do amendoal, quer pela
rapidez na execução, quer pela qualidade da mesma.